Sobre sair de casa

É a minha primeira mudança desde os 2 anos de idade. Até então, eu tinha, no máximo, trocado de quarto, arrastando móveis e malas de um lado pro outro.

Pronto, apartamento encontrado (<3) e mudança marcada. Algumas considerações sobre o que veio em seguida:

1. Empacotar as coisas com gatos em casa é uma tarefa ardilosa. As caixas vazias viraram parque de diversões, armadilha com fundo falso, bunker de isolamento pra uma gata contrariada, escadinha. Tudo, menos caixas para empacotar a mudança.

2. O primeiro dia guardando as tralhas foi com a mãe do lado, olhando papéis, decidindo o que pode ir pro lixo, rememorando bilhetes e anotações. Tarefa light, estantes e armários ainda ocupados, fotos nas paredes. Pareceu mais uma arrumação de fim de ano que uma mudança. Pouco sofrido, sensação boa de menos papel e menos peso na vida.

3. O segundo dia foi mais solitário e introspectivo, esvaziando estantes e gavetas, encaixotando livros, observando prateleiras e espaços vazios, as paredes do quarto ficando nuas. A companhia fiel foi a gata mais chegada, o grude, que não saiu do quarto um instante sequer. Observou tudo com ar de desconfiança, mostrou a barriga vez ou outra pra um chamego, se colocou no caminho (em sinal de protesto?) outras vezes. Doído pensar na separação, coração partido no fim da noite, choro baixinho antes de dormir.

4. O terceiro dia caiu bem na sexta, ocasião pra uma cerveja, chama a amiga pra fazer companhia. Bota os assuntos em dia, come pizza, organiza os vestidos na mala, se espanta com a quantidade de roupa, elege a blusa mais feia. Fala da casa nova e dos planos pro próximo ano. Tudo mais leve, mais divertido.

Os próximos dias nem sei. Sei que vou e sei que chego. Um quarto vazio aqui e uma casinha nova cheia de caixas e malas, muita tralha e pouco armário, muito amor e espaço o bastante. 

Metade de mim um passo à frente, feliz que nem cabe. A outra metade revendo o passado, se despedindo da mãe e dos gatos como se fosse pra outro país, absorvendo as toneladas de memória que cabem entre quatro paredes.

Florzinhas de gratidão por cada uma dessas paredes, antes povoadas com pôsteres, quadros e retratos, agora tão brancas, exceto por um duende atrás da porta. Ele que fica pra contar a história de tudo o que aconteceu por aqui. Eu vou indo.

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